sexta-feira, 6 de agosto de 2010

A economia chinesa é notada por alto nível de crescimento orientado à exportação. A sua transformação em economia mista, foi iniciada por Deng Xiaoping em 1978, após a falha da economia planificada em desenvolver os sistemas produtivos chineses a níveis aceitáveis.

As reformas de Xiaoping incluíram a privatização das fazendas, o que pôs fim à agricultura coletiva, e de indústrias estatais que fossem consideradas de baixo desempenho na época, como mineração e produtos básicos (roupas, processamento de alimentos), entre outras. Em 1997 a China abandonou de vez o socialismo de mercado para o capitalismo convencional, acabando com o principio de propriedade estatal e executando um segundo maciço programa de privatização. Para selar sua condição de economia globalizada, em 2001 a China foi aceita na Organização Mundial do Comércio. Atualmente, 70% da economia da China é privada, e este número continua crescendo.

     Este robusto crescimento econômico, combinado com excelentes fatores internos como estabilidade política, grandes reservas em moeda estrangeira (a maior do mundo, com US$ 818,9 bilhões), mercado interno com enorme potencial de crescimento, faz com que a China seja atualmente um dos melhores locais do mundo para investimentos estrangeiros, com uma avaliação de risco (Moody's) A2, índice considerado excelente.

Houve nos últimos anos um aumento significativo da qualidade de vida dos chineses. Apenas 10% da população vive abaixo da linha da pobreza e 99,8% dos jovens são alfabetizados (em comparação com 69,9% da década de 1980). A expectativa de vida chinesa é a terceira maior do leste asiático, com 71,9 anos, atrás de Japão, com 82,2, e de Coréia do Sul, com 77,3.
Para os chineses, a arquitetura deveria ser uma réplica do universo. As formas quadradas, que representam a terra, e as arredondadas, que simbolizam o céu, combinam-se de tal maneira que tanto templos quanto pagodes exibem aparência semelhante em atenção a essas normas. Os imponentes pagodes chineses seriam o reflexo dos stupas indianos e posteriormente a origem de toda arquitetura monumental chinesa e japonesa.
No geral, as construções chinesas que mais receberam atenção foram os templos, localizados sobre um terraço com orientação específica, tendo em vista as estações do ano. O exemplo mais interessante é o da Cidade Proibida, construída para o imperador no início do século XV.

O Templo do Céu, situado na Cidade Proibida de Pequim, é um resumo das tendências da arquitetura chinesa. Une o circular, o céu, com os três níveis de tetos curvados para cima, uma proteção eficiente contra a energia negativa. Os telhados típicos de terracota, com suas pontas para cima, além de serem uma realização complexa, simbolizam na China a união entre o celestial e o terrestre.
China, potência do século XXI? A "longa marcha do desenvolvimento"
Meio século após a proclamação da República Popular da China (RPC), esse país continua sendo considerado por muitos analistas como uma nação fora dos padrões correntes de comportamento internacional. Depois de ter sido considerado nas décadas de 70 e 80 um regime reformista e modernizador, nos anos 90 o governo chinês vem sendo caracterizado como violador dos direitos humanos (desde a repressão da Praça da Paz Celestial) e opressor de minorias étnicas, na contra-mão da História. Mesmo o seu desenvolvimento econômico, anteriormente tão elogiado, agora é enfocado a partir de seus custos sociais e ambientais tendo sua fragilidade ressaltada a todo momento, sobretudo a partir da crise financeira asiática de 1997. Aplaudido como aliado da estratégia anti-soviética dos EUA nas décadas anteriores, seu potencial militar é hoje apontado como ameaça internacional. Afinal, no umbral do Terceiro Milênio, qual é a identidade e o rumo da China?
Em primeiro lugar, é necessário observar que a Revolução Chinesa combinou duas dimensões complementares: a social e a nacional. Enquanto buscava um caminho que desencadeasse a transformação das estruturas do mundo camponês (reforma agrária, emancipação da mulher, industrialização), o maoísmo tratava de garantir a soberania do país e do regime implantado em 1949. Assim, nos anos 50 a segurança foi a prioridade, obtida através da aliança (por vezes sufocante) com a URSS. Nos anos 60, a independência e a autonomia passaram a ser as metas centrais, levando ao conflito sino-soviético. Nos anos 70, a modernização e o desenvolvimento tornaram-se tarefas estratégicas, que implicavam na normalização das relações com os países capitalistas desenvolvidos.
Assim, após vinte anos de marginalização internacional e de complicados experimentos e conflitos internos (o pior deles a Revolução Cultural), a RPC aproximou-se do Ocidente e passou a ocupar o assento do país como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU em 1971. Durante a década de 70, enquanto procedia-se a renovação da elite dirigente, a inserção internacional da China era empreendida com sucesso, num processo complementar. Desta forma, em 1978, o Partido Comunista da China (PCC) lançou uma política de reformas e modernização, sob a liderança de Deng Xiaoping. Desde então, o país vem experimentando um acelerado crescimento econômico e participando ativamente da vida internacional.
A partir de então, a China jogou habilmente a cartada anti-soviética, conseguindo um tratamento privilegiado em termos econômicos (comércio, investimentos e cooperação tecnológica). As reformas na agricultura (através da descoletivização), por sua vez, eram indispensáveis para eliminar pontos de estrangulamento da economia, permitindo a aceleração da industrialização, com o desenvolvimento de indústrias de bens de consumo para o mercado interno (equilibrando as trocas campo-cidade).
De outra parte, o estabelecimento das Zonas Econômicas Especiais permitiu a criação de plataformas de exportação, que obtiveram divisas fortes, investimentos e tecnologia. Concomitantemente, enquanto o planejamento socialista era descentralizado (envolvendo as comunidades locais e flexibilizando os mecanismos de tomada de decisão), o mercado era centralizado, devido à integração entre as regiões e os ramos da economia. Era o que Deng Xiaoping denominou Economia Socialista de Merca
do.

Arquitetura Chinesa
A arte do Extremo Oriente, rica e variada em suas manifestações, revela, na China e no Japão, estreito relacionamento com a religião, sendo ao mesmo tempo eco das numerosas dinastias chinesas e dos guardiões da cultura (bonzos) japoneses. O vínculo permanente entre ambos os países determinou a influência do primeiro sobre o segundo, desde os séculos V e VI até o XIX, em todas as disciplinas artísticas. Um dos fatores que determinaram essa estreita relação cultural foi a religião, mais precisamente o budismo. Os chineses, a princípio taoístas e confucionistas, começaram a absorver as crenças budistas, depois da expansão do império grupta (indiano) no século IV, sendo definitiva a instauração dessa religião durante a dinastia T'ang (século IV).
Tanto a arquitetura chinesa quanto a japonesa tiveram e continuam tendo um caráter eminentemente funcional, não apenas no que se refere à habitabilidade, mas também ao conceito de integração ao cosmo ou harmonização com a natureza.