China, potência do século XXI? A "longa marcha do desenvolvimento"
Meio século após a proclamação da República Popular da China (RPC), esse país continua sendo considerado por muitos analistas como uma nação fora dos padrões correntes de comportamento internacional. Depois de ter sido considerado nas décadas de 70 e 80 um regime reformista e modernizador, nos anos 90 o governo chinês vem sendo caracterizado como violador dos direitos humanos (desde a repressão da Praça da Paz Celestial) e opressor de minorias étnicas, na contra-mão da História. Mesmo o seu desenvolvimento econômico, anteriormente tão elogiado, agora é enfocado a partir de seus custos sociais e ambientais tendo sua fragilidade ressaltada a todo momento, sobretudo a partir da crise financeira asiática de 1997. Aplaudido como aliado da estratégia anti-soviética dos EUA nas décadas anteriores, seu potencial militar é hoje apontado como ameaça internacional. Afinal, no umbral do Terceiro Milênio, qual é a identidade e o rumo da China?
Em primeiro lugar, é necessário observar que a Revolução Chinesa combinou duas dimensões complementares: a social e a nacional. Enquanto buscava um caminho que desencadeasse a transformação das estruturas do mundo camponês (reforma agrária, emancipação da mulher, industrialização), o maoísmo tratava de garantir a soberania do país e do regime implantado em 1949. Assim, nos anos 50 a segurança foi a prioridade, obtida através da aliança (por vezes sufocante) com a URSS. Nos anos 60, a independência e a autonomia passaram a ser as metas centrais, levando ao conflito sino-soviético. Nos anos 70, a modernização e o desenvolvimento tornaram-se tarefas estratégicas, que implicavam na normalização das relações com os países capitalistas desenvolvidos.
Assim, após vinte anos de marginalização internacional e de complicados experimentos e conflitos internos (o pior deles a Revolução Cultural), a RPC aproximou-se do Ocidente e passou a ocupar o assento do país como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU em 1971. Durante a década de 70, enquanto procedia-se a renovação da elite dirigente, a inserção internacional da China era empreendida com sucesso, num processo complementar. Desta forma, em 1978, o Partido Comunista da China (PCC) lançou uma política de reformas e modernização, sob a liderança de Deng Xiaoping. Desde então, o país vem experimentando um acelerado crescimento econômico e participando ativamente da vida internacional.
A partir de então, a China jogou habilmente a cartada anti-soviética, conseguindo um tratamento privilegiado em termos econômicos (comércio, investimentos e cooperação tecnológica). As reformas na agricultura (através da descoletivização), por sua vez, eram indispensáveis para eliminar pontos de estrangulamento da economia, permitindo a aceleração da industrialização, com o desenvolvimento de indústrias de bens de consumo para o mercado interno (equilibrando as trocas campo-cidade).
De outra parte, o estabelecimento das Zonas Econômicas Especiais permitiu a criação de plataformas de exportação, que obtiveram divisas fortes, investimentos e tecnologia. Concomitantemente, enquanto o planejamento socialista era descentralizado (envolvendo as comunidades locais e flexibilizando os mecanismos de tomada de decisão), o mercado era centralizado, devido à integração entre as regiões e os ramos da economia. Era o que Deng Xiaoping denominou Economia Socialista de Merca
do.
Arquitetura Chinesa
A arte do Extremo Oriente, rica e variada em suas manifestações, revela, na China e no Japão, estreito relacionamento com a religião, sendo ao mesmo tempo eco das numerosas dinastias chinesas e dos guardiões da cultura (bonzos) japoneses. O vínculo permanente entre ambos os países determinou a influência do primeiro sobre o segundo, desde os séculos V e VI até o XIX, em todas as disciplinas artísticas. Um dos fatores que determinaram essa estreita relação cultural foi a religião, mais precisamente o budismo. Os chineses, a princípio taoístas e confucionistas, começaram a absorver as crenças budistas, depois da expansão do império grupta (indiano) no século IV, sendo definitiva a instauração dessa religião durante a dinastia T'ang (século IV).
Tanto a arquitetura chinesa quanto a japonesa tiveram e continuam tendo um caráter eminentemente funcional, não apenas no que se refere à habitabilidade, mas também ao conceito de integração ao cosmo ou harmonização com a natureza.
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